Ribeirão Preto, 27 de Julho de 2017

Bi-óptica

Na complexa tarefa de formar uma imagem nítida na retina, o olho humano apresenta duas principais estruturas, responsáveis por quase a totalidade de seu poder refrativo: a córnea e o cristalino.

Essas duas estruturas fornecem ao cirurgião dois possíveis planos onde atuar para alcançar a correção total do erro refracional (grau) de um paciente. Em algumas situações, a atuação em apenas um dos planos não é adequada, ou é insuficiente para permitir a formação de uma imagem nítida na retina. É onde o planejamento cirúrgico da correção refrativa em dois planos, a BI-ÓPTICA, possui um papel fundamental.

O termo bi-óptica (bioptics) foi introduzido pela primeira vez por Zaldívar em 1999, para descrever especificamente como ele utilizava o laser na córnea para corrigir qualquer grau residual após seus implantes de lentes intra-oculares fácicas (sem a remoção do cristalino). Atualmente o termo tornou-se muito mais abrangente, podendo identificar qualquer procedimento cerato-refrativo realizado em associação ou subseqüentemente a um implante de lente intra-ocular.

Bióptica

Procedimentos Cerato-Refrativos
- LASIK
- LASEK / PRK
- Incisões Arqueadas
- Ceratoplastia Lamelar

Implante de Lente Intra-Ocular
- Fácica - ARTISAN
- Pseudofácica Monofocal
- Pseudofácica Multifocal
- Implantes Duplos


Os implantes intra-oculares têm capacidade de corrigir apenas o grau esférico (miopia e hipermetropia) e, portanto, se o paciente apresentar também astigmatismo, este deverá ser corrigido de forma complementar no plano corneano.

No caso da cirurgia da catarata, o cálculo do poder dióptrico da lente intra-ocular a ser implantada está sujeito às limitações das fórmulas que temos atualmente. Nenhuma delas apresenta exatidão de 100%, principalmente em pacientes com cirurgias corneanas prévias. Nesses casos, a possibilidade de um ajuste da refração através de um procedimento corneano secundário deve ser apresentada ao paciente desde o início, com a indicação da técnica bi-óptica.

A correção do astigmatismo irregular pós-RK (ceratotomia radial), muitas vezes não é possível de ser realizada em um único plano, especialmente quando as irregularidades da superfície corneana não permitem uma boa qualidade visual mesmo após a correção do grau. A bi-óptica é nossa técnica de escolha nesses casos, com o implante de lente intra-ocular associado ao LASEK ou à ceratoplastia lamelar (em casos onde as irregularidades corneanas não favorecem a correção com o laser de superfície). A ceratoplastia lamelar anterior restaura a homogeneidade da superfície e da curvatura corneana ideal, possibilitando a melhora da qualidade visual.

Quando falamos de alta miopia, a bi-óptica não só é a técnica mais segura, mas também a que garante a maior zona óptica possível e, portanto, melhor qualidade de visão para o paciente. Isso é possível porque a maior parte do grau é corrigida com a lente intra-ocular, preservando a córnea para um ajuste fino da refração.


PRINCIPAIS INDICAÇÕES DA BI-ÓPTICA
- Alta Miopia com ou sem Astigmatismo
- Alta Hipermetropia com Astigmatismo
- Grau Residual pós-RK (ceratotomia radial)
- Cirurgia da Catarata em pacientes com cirurgia corneana prévia
- Cirurgia Refrativa da Catarata
- Cirurgia da Presbiopia com Implante de LIO Multifocal


Com a incorporação da bi-óptica no nosso armamentário de cirurgias oculares, vemos pacientes mais satisfeitos e resultados muito mais previsíveis. Qualquer procedimento de implante de lente intra-ocular pode se tornar um procedimento bi-óptico, se necessário.

A bi-óptica é capaz de oferecer alta previsibilidade e eficácia aos nossos pacientes, com ótima performance visual, sem os efeitos colaterais ou complicações de se corrigir altas ametropias em um só plano, como ectasias e aberrações visuais.

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