Ribeirão Preto, 27 de Julho de 2017

Estrabismo


Estrabismo é um dos problemas oculares mais comuns em crianças. Mais da metade das crianças com estrabismo nasce com o desvio ocular ou o desenvolve logo nos primeiros anos de vida. Apesar de acometer principalmente crianças, o estrabismo também pode acometer adultos.
No estrabismo, os olhos são desalinhados. Um ou ambos os olhos podem ser voltados para dentro, para fora, e também para cima ou para baixo. Este desalinhamento reduz a percepção de profundidade e pode ocasionar visão dupla.
É importante lembrar que o estrabismo não é a mesma coisa que "olho preguiçoso" (ambliopia), mas pode provocar ambliopia se não for tratado.

O que causa estrabismo?

O Estrabismo é causado por um desequilíbrio no controle muscular dos olhos. Normalmente, o movimento ocular é controlado por 3 pares de músculos presos na parte externa dos globos oculares. Um dos pares move os olhos para a direita ou para a esquerdo. Os outros dois controlam os movimentos para cima e para baixo, e também o movimento de inclinação do olho. Para que uma visão normal aconteça, é necessário que os dois olhos mantenham a coordenação e trabalhem em conjunto para focalizar em um único objeto.
Quando existe o estrabismo, um músculo fora da posição correta ou fraco faz com que o olho vire para dentro, para fora, para cima ou para baixo. Apesar de desconhecermos a razão exata para a disfunção muscular, o estrabismo é geralmente hereditário.

Como o estrabismo pode afetar a visão?

Na visão normal, os dois olhos olham para o mesmo objeto ao mesmo tempo. Cada olho envia uma imagem para o cérebro, que então funde as duas imagens separadas em uma única imagem, tridimensional. Como o estrabismo não permite que os dois olhos focalizem a mesma imagem simultaneamente, duas imagens diferentes chegam então ao cérebro. Aquela que foi enviada pelo olho não desviado ou dominante é nítida, mas a imagem enviada pelo olho desviado ou mais fraco é borrada. O cérebro é incapaz de fundir as duas imagens.
Uma criança com estrabismo rapidamente aprende a ignorar ou suprimir a imagem vista pelo olho mais fraco. O olho dominante então assume toda a função visual e o olho desviado torna-se cada vez mais fraco ("preguiçoso"). Se o estrabismo não é corrigido, o olho preguiçoso passa a ser completamente ignorado e o olho passa a apresentar também ambliopia.
Um adulto que desenvolve estrabismo irá eventualmente apresentar visão dupla. O olho adulto já foi suficientemente treinado para receber as imagens de ambos os olhos e é incapaz de ignorar a imagem do olho desviado.

Quais os sintomas do estrabismo?

O estrabismo é geralmente difícil de detectar.
Os olhos podem apresentar-se desviados todo o tempo ou apenas quando a criança está doente, cansada, ou se concentrando em objetos bem próximos.
Os sintomas podem incluir:

  • Olhos que parecem desencontrados ou que não se movem em conjunto;
  • abeça virada ou inclinada a maior parte do tempo;
  • Aumento da frequencia do piscar ou apertar um ou ambos os olhos;
  • Dificuldade de ver com nitidez


Nos primeiros meses de vida, algumas crianças podem parecer ter estrabismo quando na realidade não o têm (chamamos esta situação de pseudo-estrabismo). Porque a ponte do nariz ainda não é desenvolvida em crianças pequenas, o excesso de pele dos dois lados do nariz pode cobrir parte da porção interna do branco dos olhos e provocar a impressão de que os olhos são cruzados. Conforme a criança cresce, os olhos recobram a aparência normal.
Infelizmente, uma criança com estrabismo não tratado pode apresenta perda permanente de visão.

Como o estrabismo é diagnosticado?

O exame ocular na idade pré-escolar é extremamnete importante para detectar o estrabismo, assim como outros problemas de visão. Durante o exame, o médico testa o alinhamento dos olhos da criança com uma lanterna, avaliando a posição do reflexo da luz. Outros testes avaliam a resposta de ambos os olhos quando ocluídos alternadamente, e também a movimentação dos olhos em todas as direções.

Como o estrabismo é tratado?

O objetivo do tratamento do estrabismo é restaurar a visão em primeiro lugar, depois corrigir a posição dos olhos e por fim, se possível, fazer com que os olhos aprendam a trabalhar em conjunto. Para isso, o tratamento precoce é essencial. Se a condição não for tratada até a idade de 6 ou 7 anos, a criança irá provavelmente apresentar déficit visual por toda a vida. Qualquer correção da posição dos olhos em idade posterior ou adulta será apenas de valor cosmética, e não irá melhorar a visão.
O tratamento para o estrabismo objetiva corrigir a causa da condição. As modalidades de tratamento mais usadas são:

  • ÓCULOS: O uso de óculos pode melhorar a capacidade de fixação e visão do olho mais fraco;
  • TAMPÃO: A oclusão do olho mais forte fortalece o olho mais fraco porque o força a trabalhar por dois;
  • EXERCÍCIOS (Treinamento Ortóptico): Exercícios fortalecem e treinam os músculos oculares, melhorando sua capacidade motora e ensinando os olhos a trabalharem juntos;
  • CIRURGIA: Se os outros métodos falham, a cirurgia pode ser necessária para ajustar a tensão dos músculos oculares. Durante o procedimento, o cirurgião faz uma pequena incisão no tecido que recobre o olho e reposiciona os músculos que precisam de reparo. A incisão é então fechada com pequenos pontinhos, que são aos poucos reabsorvidos. O paciente geralmente pode retomar suas atividades em alguns dias.;

Óculos e/ou tampão podem ser ainda necessários após a cirurgia para completar o tratamento.

A prevenção é o melhor tratamento

Exames oftalmológicos são a melhor forma de prevenir a perda de visão causada pelo estrabismo. É recomendado que todas as crianças passem por uma avaliação oftalmológica antes dos 6 meses de vida, repetida depois entre 3 e 5 anos. Esses exames precoces são especialmente importantes se existe história de estrabismo na família, ou se a criança apresenta sintomas. Uma vez que a criança chega aos 6 ou 7 anos, uma eventual perda de visão causada pelo estrabismo já pode ser irreversível.

Topo
Facebook - Instituto Reynaldo Rezende
Desenvolvido por ARZ